Yupirungáwa: Obra de artista Borari revela conexões entre povos indígenas e a floresta
Exposição será realizada no Museu de Ciência da Amazônia (MuCA), em Belterra, a partir de 17 de outubro, às 16h, com presença da artista e convidados. Visitação vai até dezembro.
10/9/20263 min read


A partir de 17 de outubro, o Museu de Ciência da Amazônia (MuCA), em Belterra, apresenta Yupirungáwa, obra da artista ceramista e liderança indígena do território Borari, Vandria Borari, em uma exposição que aproxima arte, conhecimentos indígenas, arqueologia, ciência e memória da floresta.
Vandria Borari é artista ceramista, bacharel em Direito pela Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) e liderança indígena do território Borari, em Alter do Chão, no Baixo Tapajós, Amazônia brasileira.
A exposição parte de uma pesquisa que propõe uma releitura da arqueobotânica a partir do diálogo entre os conhecimentos indígenas sobre os territórios e as pesquisas arqueológicas e paleo etnobotânicas realizadas no Baixo Amazonas. O projeto parte das pesquisas de Myrtle Pearl Shock, Ph.D., antropóloga e pesquisadora da Amazônia, sobre as relações entre seres humanos e plantas no passado amazônico, a partir da análise de frutos, sementes, raízes e tubérculos encontrados em contextos arqueológicos.
A obra apresenta duas sementes amazônicas esculpidas em cerâmica de tucumã e curuá, com aparência que remete aos vestígios botânicos carbonizados encontrados em contextos de terra preta. As esculturas têm como referência pesquisas realizadas no Sítio Arqueológico Porto, em Santarém, e na Caverna da Pedra Pintada, em Monte Alegre. Nesta última, pesquisas indicam uma presença humana de aproximadamente 11.200 anos antes do presente (AP).
Sobre a Obra: Yupirungáwa — Origem
A Amazônia, seu povo, sua diversidade cultural e biológica, seus rios, igarapés e a imensidão verde da floresta têm uma origem.
A obra “Yupirungáwa”, palavra da língua indígena Nheengatu que significa “origem”, revela uma relação ancestral entre os povos e a Kaa, a floresta. A vasta diversidade de plantas da Amazônia está profundamente entrelaçada aos caminhos, saberes e modos de vida das comunidades que historicamente habitam e cuidam desses territórios. A pesca, a caça, o cultivo e o manejo das plantas, assim como a busca por abrigo e alimento, constituíram formas de viver e de se relacionar com a floresta, construindo conhecimentos que atravessam gerações e permanecem vivos na Amazônia.
A compreensão das formas de manejo e a relação com a terra pelas populações que habitaram a Amazônia entre os séculos IX e XVII também permite reconhecer sua influência sobre os modos de vida dos povos indígenas e comunidades tradicionais que hoje vivem na Amazônia. Esses conhecimentos e práticas estão relacionados a uma longa história de interação de cuidado e respeito com a floresta, na qual seres humanos, plantas, animais, rios e territórios constituem uma rede de relações.
Parte dessa história é revelada pelas pesquisas arqueológicas realizadas em áreas de antiga ocupação humana, especialmente nos sítios associados à formação de terra preta de origem antrópicas, solos ricos em matéria orgânica e nutrientes que guardam vestígios de antigas ocupações. Fragmentos cerâmicos e líticos, restos de fauna, sementes, frutos, raízes e outros vestígios botânicos permitem reconstruir aspectos da vida, da alimentação e das relações estabelecidas entre essas populações e o ambiente.
Yupirungáwa (Origem) propõe uma releitura da arqueobotânica a partir do diálogo entre os conhecimentos indígenas sobre os territórios e as pesquisas arqueológicas e paleoetnobotânicas realizadas no Baixo Amazonas. O projeto parte das pesquisas de Myrtle Pearl Shock, Ph.D., antropóloga e pesquisadora da Amazônia, sobre as relações entre seres humanos e plantas no passado amazônico, a partir da análise de frutos, sementes, raízes e tubérculos encontrados em contextos arqueológicos.
A obra apresenta duas sementes amazônicas esculpidas em cerâmica de tucumã e curuá, com aparência que remete aos vestígios botânicos carbonizados encontrados em contextos de terra preta. As esculturas têm como referência pesquisas realizadas no Sítio Arqueológico Porto, em Santarém, e na Caverna da Pedra Pintada, em Monte Alegre. Nesta última, pesquisas indicam uma presença humana de aproximadamente 11.200 anos antes do presente (AP), evidenciando a longa história das relações entre os povos e a floresta amazônica.
Yupirungáwa propõe olhar para as sementes como elementos vivos de uma rede ancestral que conecta floresta, território, alimento, cultura e biodiversidade. Elas são parte da dieta dos povos da floresta e, ao mesmo tempo, fundamentais para inúmeras relações ecológicas que sustentam a vida amazônica.


