Ubuntu Raiz leva oficinas de culinária afro-indígena a comunidades do Tapajós e Arapiuns

Projeto idealizado por Natalina Cardoso promove intercâmbio de saberes, valoriza a cultura alimentar amazônica e começa no dia 20 de setembro

9/17/20264 min read

A cozinha como espaço de memória, ancestralidade e troca de saberes. É a partir dessa perspectiva que o projeto Ubuntu Raiz: comida ancestral e tradição na Amazônia realiza, a partir do dia 20 de setembro, uma programação de oficinas gratuitas de cultura alimentar em quatro comunidades dos rios Tapajós e Arapiuns, em Santarém, no oeste do Pará. Idealizada pela fazedora de cultura alimentar e chefe de cozinha afetiva Natalina Cardoso, a iniciativa propõe uma releitura de pratos populares a partir do encontro entre ingredientes amazônicos e influências africanas e indígenas.

A programação começa na Comunidade Urucureá, no dia 20 de setembro, e segue para a Aldeia Surisawá, no dia 22; Aldeia Atodi, no dia 24; encerrando no dia 28 de setembro, na Aldeia Karanã/Comunidade do Caranazal.

Mais do que ensinar receitas, o projeto busca promover o intercâmbio de conhecimentos sobre os alimentos, seus modos de preparo e a importância da culinária na preservação das memórias e tradições. As oficinas terão um cardápio autoral elaborado por Natalina, que propõe releituras de pratos populares com ingredientes regionais do oeste paraense e elementos da culinária africana e afro-brasileira.

“A gente vai fazer quatro horas de oficina com um cardápio autoral que faz uma releitura de alguns pratos populares e faz a fusão África e Amazônia, que é afro-indígena, que são as nossas influências africanas e indígenas na Amazônia”, explica Natalina.

Mulheres como protagonistas da cultura alimentar

As oficinas têm como público principal as mulheres das comunidades. Cada atividade está preparada para receber cerca de 20 participantes, com equipamentos e materiais necessários para a realização da experiência culinária.

A participação é gratuita, e as alunas inscritas receberão certificado e brindes do projeto. As inscrições serão realizadas presencialmente. Mulheres que desejarem acompanhar as atividades como ouvintes também serão bem-vindas, conforme a capacidade de cada local.

A proposta reconhece o papel das mulheres na preservação de práticas alimentares transmitidas entre gerações e valoriza os conhecimentos que circulam nas comunidades.

Além da experiência culinária, cada oficina contará com a gravação de um vídeo com uma convidada especial da comunidade. A ideia é registrar relatos sobre a cultura alimentar local, os modos de preparo e a importância do alimento para a identidade cultural amazônica.

“Cada comunidade vai ter a sua convidada especial para falar dessa fusão da cozinha, do preparado, do alimento, o quanto que o alimento traz essa importância para nossa cultura”, destaca a idealizadora.

Uma trajetória entre rios, cozinhas e saberes ancestrais

A relação de Natalina Cardoso com a cultura alimentar começou ainda na infância. Nascida em Igarapé-Miri, no Pará, ela passou a infância às margens do rio Meruú, no Baixo Rio Tocantins, onde aprendeu a valorizar suas raízes e tradições.

Há cinco anos, moradora da Comunidade do Caranazal, em Alter do Chão, Natalina desenvolve vivências gastronômicas itinerantes, levando ao público experiências que aproximam alimentação, cultura e saberes tradicionais. Sua trajetória inclui a atuação como chefe de uma cozinha fluvial entre 2023 e 2024, além da participação em uma expedição científica pelo rio Arapiuns, quando teve a oportunidade de conhecer diferentes comunidades da região.

O Ubuntu Raiz nasce como um desdobramento do Café Ubuntu Raiz, experiência gastronômica criada por Natalina que valoriza o café da manhã regional, os ingredientes amazônicos e outros saberes relacionados ao cultivo e preparo dos alimentos.

A proposta amplia essa experiência para os territórios Tapajós-Arapiuns, promovendo encontros entre diferentes conhecimentos e modos de vida.

Comida, memória e o encontro entre África e Amazônia

O nome Ubuntu Raiz reúne duas ideias centrais do projeto: a ancestralidade presente na cultura alimentar e o reconhecimento de que as pessoas constroem suas histórias em relação umas com as outras.

A iniciativa busca evidenciar as contribuições africanas e indígenas na formação da culinária amazônica, valorizando ingredientes, técnicas e narrativas que fazem parte da vida das comunidades.

A programação também prevê a produção de um livro de receitas e narrativas sobre a relação entre comida e memória, além de uma série de quatro vídeos com registros das oficinas e entrevistas com convidadas das comunidades.

A proposta quer contribuir para a valorização da cultura alimentar e da soberania alimentar na região, estimulando o reconhecimento dos ingredientes disponíveis nos territórios e dos saberes associados ao cultivo, preparo e consumo dos alimentos.

O projeto Ubuntu Raiz: comida ancestral e tradição na Amazônia é realizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), com recursos do Ministério da Cultura, operacionalizados pela Secretaria de Estado de Cultura e da Fundação Cultural do Estado do Pará.

Programação

20 de setembro – Comunidade Urucureá

22 de setembro – Aldeia Surisawá

24 de setembro – Aldeia Atodi

28 de setembro – Aldeia Karanã/Comunidade do Caranazal

As oficinas são gratuitas, com vagas limitadas e inscrições presenciais. Para mais informações, o público pode entrar em contato pelo telefone (93) 99230-1453, pelo Instagram @naticubunturaiz ou pelo e-mail projetoubunturaiz@gmail.com.

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