Instituto Regatão reúne lideranças da Amazônia para discutir cultura, democracia e políticas públicas
Evento gratuito acontece nos dias 6 e 7 de agosto, em Alter do Chão, reunindo representantes de Pontos e Pontões de Cultura, lideranças comunitárias, pesquisadores, artistas e moradores para debater o fortalecimento e desenvolvimento das culturas vivas amazônicas.
8/3/20263 min read


Debater como as políticas públicas podem fortalecer a cultura, proteger a floresta e ampliar o protagonismo das comunidades amazônicas é a proposta do Diálogos Amazônicos: Cultura, Meio Ambiente e Democracia, promovido pelo Instituto Regatão Amazônia nos dias 6 e 7 de agosto, em Alter do Chão. Gratuito, o encontro reunirá lideranças indígenas e comunitárias, representantes de Pontos e Pontões de Cultura, pesquisadores, agentes culturais e o público em geral na Casa Regatão, das 8h às 17h30.
Realizado em conjunto com a Mostra Pontão de Cultura, o evento também apresentará os resultados dos projetos desenvolvidos pelo Instituto Regatão Amazônia em comunidades ribeirinhas e indígenas do Baixo Amazonas. A proposta é mostrar, por meio de experiências concretas, como políticas públicas voltadas à cultura fortalecem organizações comunitárias, ampliam oportunidades e geram impactos reais nos territórios amazônicos.
Segundo a diretora executiva e cofundadora do Instituto Regatão Amazônia, Marlena Soares, o encontro foi pensado para aproximar a população de um tema que, muitas vezes, parece distante do cotidiano.
“Queremos aproximar as pessoas das políticas públicas de uma forma simples, mostrando que elas fazem parte do nosso dia a dia. Não estamos falando de política partidária, mas de como decisões públicas impactam diretamente a vida das comunidades, dos investimentos em cultura, na democracia e na proteção ambiental. O Diálogos Amazônicos nasce para mostrar que as comunidades já fazem seus processos democráticos, como a tradição de pagar visitas, eleição de diretoria de uma entidade, acordos de pesca e muito mais.”
A programação foi organizada para conectar experiências que já fazem parte da realidade amazônica. O primeiro dia será aberto com um ritual conduzido por lideranças tradicionais, seguido por uma roda de diálogo interétnico sobre organização comunitária e território. Ao longo do dia, os participantes discutirão o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) como política pública de fortalecimento da agricultura familiar e da floresta em pé, conhecerão experiências do Festival da Catraia, participarão de um debate sobre a Rede de Culturas da Sociobiodiversidade e acompanharão a apresentação do mapeamento dos Pontos de Cultura do Baixo Amazonas. À noite, a programação será encerrada com uma sessão especial do Cineclube Regatão.
No segundo dia, o encontro volta o olhar para práticas culturais presentes no cotidiano amazônico, como a tradicional cultura de “pagar visita”, além de promover debates sobre a construção das políticas públicas e o protagonismo das juventudes do Baixo Amazonas na transformação dos territórios. A programação também inclui a apresentação dos impactos do Projeto Pontão de Cultura, o lançamento da coletânea “Regatão das Amazônias” e o encerramento cultural “Atiçando o Futuro”, com apresentações das DJs Lívia Borari e Miranha.
Outro destaque será a Mostra Pontão de Cultura, que reunirá lideranças de Pontos e Pontões de Cultura de diferentes municípios do Baixo Amazonas para compartilhar experiências, fortalecer redes de colaboração e apresentar os resultados de iniciativas desenvolvidas em seus territórios. Exposições fotográficas, feira da Rede de Culturas da Sociobiodiversidade, publicações produzidas pelo Instituto Regatão Amazônia, espaço para crianças com cuidadora e uma área de convivência completarão a programação, transformando a Casa Regatão em um ambiente de troca de saberes e articulação entre iniciativas culturais da região.
Para Marlena Soares, a Mostra Pontão de Cultura representa um momento de compartilhar os resultados construídos ao longo dos últimos anos junto às comunidades.
“A Mostra apresenta os impactos concretos desse trabalho. Queremos mostrar que, quando uma política pública chega aos territórios, ela fortalece a cultura, gera oportunidades e produz impactos reais na vida das pessoas.”
Mais do que um seminário, o Diálogos Amazônicos pretende consolidar a Casa Regatão como um espaço permanente de formação, diálogo e articulação entre comunidades, agentes culturais, pesquisadores e instituições, reforçando que cultura, democracia e meio ambiente caminham juntos na construção de uma Amazônia que norteia o modelo de desenvolvimento que se busca para a região.


