Exposição sobre o Sairé ocupa Museu de Arte Sacra de SP e projeta cultura amazônica no cenário nacional

Mostra do fotógrafo Alexandre Baena apresenta a celebração religiosa e cultural de Alter do Chão, unindo fé, ancestralidade e a disputa dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa.

2/8/20262 min read

A força simbólica do Sairé, uma das mais tradicionais manifestações culturais da Amazônia, ganhou destaque nacional neste sábado (7) com a abertura da exposição “Sairé – Celebração, louvor e disputa dos Botos”, no Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP). Assinada pelo fotógrafo, documentarista e cineasta paraense Alexandre Baena, a mostra leva ao público paulista imagens e narrativas que traduzem fé, ancestralidade e identidade dos povos da região do Baixo Tapajós.

Após circular pelas cinco regiões do Brasil, a exposição retorna ao eixo nacional em uma edição especial, ocupando um dos mais importantes espaços museológicos do país. O trabalho apresenta o universo do Sairé, celebrado anualmente na vila de Alter do Chão, em Santarém (PA), reunindo o rito religioso de louvor à Santíssima Trindade, marcado pela influência da fé católica e das tradições indígenas Borari, e o momento profano da disputa entre os botos Tucuxi e Cor-de-Rosa, símbolos centrais da festa.

A abertura da mostra foi marcada por uma apresentação especial do rito religioso do Sairé, conduzida por integrantes da Corte da festividade. Cânticos, orações e símbolos sagrados transformaram o espaço do museu em um ambiente de celebração, reforçando a fusão entre religiosidade cristã e saberes indígenas. As agremiações dos botos Tucuxi e Cor-de-Rosa também participaram do evento, levando elementos cênicos, personagens e narrativas que representam a emoção e a riqueza cultural de Alter do Chão.

Segundo Alexandre Baena, a exposição busca evidenciar a presença e a força dos povos tradicionais em cada etapa da manifestação. “O rito religioso tem a presença forte dos povos tradicionais, como ribeirinhos, quilombolas e indígenas Borari. São traços expressivos que vão desde a colocação dos mastros até as rezas e os cantos de louvor. Já na disputa dos botos, surgem os elementos sobrenaturais, as indumentárias, as cores vibrantes e a presença dos povos tradicionais, evidentes em cada cena apresentada nas telas”, explica o artista.

Para a Prefeitura de Santarém, a realização da mostra em São Paulo reforça o reconhecimento do Sairé como patrimônio cultural imaterial da Amazônia e do Brasil. Com mais de 300 anos de história, a manifestação preserva valores religiosos, culturais e ambientais dos povos tradicionais da região.

Presente na abertura, a coordenadora de Comunicação da Prefeitura de Santarém, Rayza Reis, destacou o papel da comunicação pública na valorização cultural. “A comunicação pública tem um papel fundamental nesse processo: não apenas divulgar, mas traduzir com responsabilidade, respeitando os símbolos, os ritos e os significados que fazem parte dessa manifestação. Levar o Sairé para além das fronteiras de Santarém é ampliar vozes, fortalecer a cultura amazônica e garantir que o mundo conheça essa expressão em sua essência, sem descaracterização”, afirmou.

O coordenador do Sairé, Osmar Vieira, também ressaltou o significado da exposição fora do Pará. “Temos o privilégio de participar desta exposição aqui em São Paulo. É um prazer e uma alegria trazer a nossa fé ao povo paulista e mostrar que o Sairé está nos quatro cantos”, disse.

Após a temporada na capital paulista, a exposição seguirá para o Rio de Janeiro e, em seguida, retornará a Belém, onde já esteve em cartaz no Museu de Arte Sacra do Pará.