Espetáculo "O Mocó" encerra Festival Solos do Pará com reflexão sobre violência, poder e exclusão social
Ambientado em um prostíbulo, o espetáculo conta a história de três mulheres que vivem sob a exploração de um cafetão e a violência de um capataz. Quando uma delas decide mudar essa realidade, a trama aborda temas como violência, abuso de poder e desigualdade.
8/7/20262 min read


Uma história marcada pela violência, pela exploração e pelas relações de poder fechou a programação do IV Festival Solos do Pará, em Santarém, no oeste do Pará. Na noite de quinta-feira (5), o grupo Teatro Iurupari levou ao palco o espetáculo "O Mocó", uma livre adaptação da obra O Abajur Lilás, de Plínio Marcos, reunindo o público em torno de uma narrativa que provoca reflexões sobre desigualdade e opressão.
Ambientado em um prostíbulo, o espetáculo conta a história de três mulheres que vivem sob a exploração de um cafetão e a violência de um capataz. Quando uma delas decide mudar essa realidade, a trama aborda temas como violência, abuso de poder e desigualdade.
Para a atriz Raysse Mel, participar do festival representou a oportunidade de compartilhar o trabalho do grupo com novos públicos e, ao mesmo tempo, conhecer diferentes formas de fazer teatro
"A gente ficou muito feliz com o convite. O Festival Solos reúne outros formatos, outros artistas, e isso é muito importante porque a gente consegue conhecer o que está sendo produzido e também mostrar um pouco do nosso trabalho. Espero que o espetáculo tenha chegado às pessoas e que elas levem essa reflexão para casa."
Para o diretor da montagem, Leandro Casula, encerrar a programação do festival foi um momento especial para o Teatro Iurupari. Segundo ele, apresentar um espetáculo dramático em uma mostra que reúne diferentes linguagens foi uma oportunidade de levar o trabalho do grupo a um público ainda maior.
"Foi uma grande honra para o Teatro Iurupari encerrar a quarta edição do Festival Solos do Pará. A mostra já conquistou seu público e abriu espaço para diferentes formas de fazer teatro. Trazer um espetáculo dramático para essa programação foi uma oportunidade muito importante para ampliar esse diálogo e provocar novas reflexões."
A estudante Cinara Nicole dos Santos também acompanhou a apresentação. Ela conta que, mesmo sendo uma obra de ficção, a história faz lembrar situações que ainda estão presentes na sociedade.
"São cenas muito fortes. A gente acaba trazendo essas reflexões para a nossa própria vida. Além disso, acho muito importante que esses espetáculos sejam oferecidos gratuitamente para a população."
Ulisses Calvo, integrante do Grupo de Teatro Franciscano Kabi Kaxi, conta que saiu da apresentação levando muitas questões para pensar.
"O espetáculo inteiro é muito impactante. A cena da tortura foi a que mais mexeu comigo porque lembrou momentos do regime militar. É uma peça que faz a gente pensar sobre a nossa própria realidade."
O espetáculo também encerrou uma semana de programação do IV Festival Solos do Pará, que começou no dia 1º de agosto e reuniu apresentações, rodas de conversa e atividades formativas. Para Elder Aguiar, coordenador do evento, a 4ª edição trouxe um resultado positivo e mostrou a importância de manter espaços de encontro e troca entre artistas e o público.
"Foi um festival muito bonito, com atividades formativas, espetáculos acessíveis com audiodescrição e Libras e uma participação muito importante do público. A gente encerra essa edição já pensando na próxima, fortalecendo parcerias e trabalhando para que o festival continue crescendo."


