Em sua terceira edição, Laje da Naza, de Gaby Amarantos, celebra o Círio com fé, diversidade e uma nova forma de pertencer
Projeto autoral da cantora paraense retorna ao Círio de Nazaré com convidados especiais, programação marcada pela cultura periférica e uma novidade para os fãs: uma camiseta comemorativa da Laje
10/6/20263 min read


A Laje da Naza, projeto autoral de Gaby Amarantos, chega à sua terceira edição durante o Círio de Nazaré, em Belém, reafirmando seu lugar como um espaço de encontro entre fé, música, cultura paraense e diversidade. Depois de duas edições marcadas pela celebração das diferentes formas de viver o Círio, a Laje retorna ao mesmo endereço, com uma estrutura semelhante às anteriores, mas trazendo novos elementos que ampliam a identidade do projeto.
Uma das principais novidades deste ano é a criação de uma camiseta comemorativa da Laje da Naza, produzida especialmente para os fãs do projeto. A peça nasce também como uma nova forma de participação: mesmo quem não estará fisicamente no espaço poderá carregar consigo a identidade da Laje e celebrar a mesma fé. As camisetas não dão acesso ao evento e estão sendo comercializadas como uma peça exclusiva e comemorativa.
“As pessoas têm essa tradição de comprar camisas para o Círio e eu recebia muito esse pedido. Tem gente que fala: ‘eu queria tanto fazer parte de alguma forma’. Então criamos essa camisa para que as pessoas possam se sentir junto com a gente, conectadas na mesma fé e na mesma identidade visual”, conta Gaby.
A identidade visual das camisetas e da própria Laje deste ano é inspirada no Raio que o Parta, movimento arquitetônico que marcou Belém a partir da década de 1960 e permanece presente em diferentes regiões da cidade. Caracterizado pelo uso de pedaços de lajotas e revestimentos que, muitas vezes, seriam descartados, o movimento criou desenhos geométricos em fachadas de casas, especialmente nas periferias da capital paraense.
A escolha do Raio que o Parta dialoga diretamente com a essência da Laje da Naza. Assim como o movimento transformou materiais que seriam descartados em elementos de identidade e beleza nas fachadas de Belém, a Laje parte daquilo que historicamente esteve às margens para colocar essas manifestações no centro da celebração do Círio. Neste ano, a estética estará presente também na fachada do espaço da Laje, em diálogo com a arquitetura e a paisagem da cidade.
Mais do que uma festa, a Laje da Naza se consolidou como uma extensão do olhar de Gaby sobre o Círio e sobre o próprio Pará. O projeto nasceu de maneira espontânea, quando, na primeira edição, a cantora e seu pai foram às ruas distribuir água aos romeiros. A experiência ganhou força e, desde então, a Laje passou a ocupar também os espaços do Círio que evidenciam a presença e a potência das periferias paraenses.
“A Laje começou na brincadeira. Na primeira edição, eu e meu pai fizemos algumas camisetas e fomos para a rua distribuir água. Quando vi, tinha acontecido de uma forma tão espontânea, parecia que Nossa Senhora queria que aquilo se concretizasse”, relembra.
Neste ano, a proposta segue conectada à diversidade que atravessa o Círio. A Laje reúne pessoas LGBTQIA+, artistas, convidados e diferentes públicos em um espaço que busca dar visibilidade a manifestações culturais e sociais que nem sempre ocupam os mesmos lugares de destaque durante a programação oficial.
Para Gaby, estar nas ruas e participar de momentos como a Moto Romaria é parte essencial dessa construção. “A gente se identifica com esses movimentos que têm a cara da periferia. Que os meus convidados desçam, vão viver um pouquinho desse Círio no chão também, é muito importante. O ápice é quando Nossa Senhora passa e a gente pode cantar, saudar, pedir para ela proteger as pessoas periféricas, as mulheres, os LGBTs e acabar com o preconceito”, afirma a cantora.
A programação da Laje contará ainda com convidados especiais, que serão revelados posteriormente. A escolha mantém uma das características do projeto: reunir nomes que dialoguem com a linguagem da Laje e com a diversidade social, cultural e artística do Pará.
Para a cantora, essa convivência entre diferentes públicos é uma das maiores potências do Círio. A Laje se propõe a celebrar uma manifestação religiosa que, ao mesmo tempo, é atravessada por diferentes crenças, classes e identidades.
“É uma festa religiosa, mas a Mãezinha abraça as pessoas de todas as religiões. A gente vê evangélicos distribuindo água, pessoas de religiões de matriz africana participando. Acho que essa é uma das coisas mais bonitas do Círio: ver a presença real da diversidade em todo lugar”, completa.
Entre fé, música, identidade amazônica e celebração, a terceira edição da Laje da Naza reforça a visão de Gaby de que o Círio também é um espaço para todos. Um encontro em que o sagrado encontra a rua, a periferia, a música e a diversidade e em que elementos da própria arquitetura e cultura de Belém ajudam a contar essa história.
“Ela é essa diva pop da Amazônia. E a gente vai estar ali, todos juntos, para saudar a nossa rainha”, conclui Gaby.


