"Desassossego": quando a pandemia vira arte e memória no palco do II Festival de Teatro do Tapajós
Espetáculo do grupo amazonense será o quarto a se apresentar no auditório Wilson Fonseca, no campus Rondon da Ufopa
3/12/20262 min read


A peça "Desassossego" chega ao II Festival de Teatro do Tapajós carregado de histórias reais, memórias coletivas e a coragem de reviver, em cima do palco, uma das experiências mais traumáticas e que marcou a vida de todos.
A obra nasceu durante a pandemia de COVID-19, os cinco integrantes do Grupo Jurubebas de Teatro fizeram uma escolha que mudaria suas vidas. Viver juntos em meio neste período delicado, e durante cinco meses, compartilharam o confinamento, o medo, a incerteza e também a criatividade, nascendo assim o "Desassossego".
Estreando presencialmente em 2022 e conquistando, desde então, a Bolsa Myriam Muniz de Teatro da FUNARTE, o espetáculo foi encenado em vários palcos pelo país.
A narrativa é ambientada em Manaus, no dia 21 de janeiro de 2021, enquanto a cidade era asfixiada pela falta de oxigênio nos hospitais. Manaus ganhou destaque na mídia pelo problema de saúde pública que vivia. O espetáculo traz essa Amazônia que vivencia uma pandemia que dizima populações inteiras: indígenas, negros, LGBTQIA+ e toda a sociedade vulnerável da região Norte.
"Desassossego" é, portanto um grito coletivo, uma denúncia, uma tentativa de ressignificar o trauma através da arte. Três personagens inspirados em vivências reais e que relembram e reestruturam sua própria existência no palco, convidando o público a se identificar naquelas memórias que pertencem a todos nós.
O desafio de reviver para contar
O maior desafio do processo de criação foi lidar com o dia a dia dessa experiência real. Montar a peça após a segunda onda de COVID-19 permitiu ao grupo ver de perto toda a realidade que apresentam na obra. Cada cena é um exercício de coragem, cada fala é um ato de resistência. Porque reviver trauma no palco não é apenas contar uma história, é transformar dor em arte, isolamento em encontro, desassossego em esperança.
"Estamos muito felizes em retornar a Santarém e retornar nesse festival que nos abriu tantas portas na sua primeira edição, o festival de Teatro Tapajós é um marco de encontro, de possibilidades e de escuta daquelas produções artísticas que só Amazônia tem", afirma Paulo Amaral, diretor do Grupo Jurubebas.
O II Festival de Teatro do Tapajós conta com patrocínio do Ministério da Cultura e da Equatorial Energia Pará, por meio da Lei Rouanet.
Além de poder acompanhar presencialmente os espetáculos do segundo FesTeatro Tapajós serão transmitidos no canal do YouTube do Grupo Olho D’água com tradução em libras e também posteriormente serão disponibilizadas em audiodescrição.


