Casa da Cultura recebe primeiro Concerto Rio 2026 da Filarmônica Municipal Professor José Agostinho

Apresentação integra mobilização para participação da banda sinfônica em evento internacional inédito no Brasil e celebra a musicalidade amazônica

4/27/20264 min read

A Casa da Cultura recebeu no domingo (26), a primeira apresentação especial da Banda Filarmônica Professor José Agostinho, com o Concerto Rio 2026. O evento reuniu cerca de 200 pessoas e integrou a mobilização para a participação do grupo no Fringe Festival – Festival Por Todas as Bandas, que compõe a programação da 21ª Conferência Internacional da WASBE (World Association for Symphonic Bands and Ensembles), marcada para ocorrer entre os dias 21 e 25 de julho de 2026, no Rio de Janeiro.

O repertório preparado para a apresentação traduz, em linguagem sinfônica, a identidade cultural do Norte e a pluralidade da música brasileira. Obras como Pé na Areia, Rei Solano, de Sebastião Tapajós, e o pout-pourri de carimbós mostraram a sonoridade amazônica, marcada por ritmos e influências regionais. O Concerto Rio 2026 também incluiu diferentes vertentes musicais, trazendo clássicos da música nordestina, toadas do Festival de Parintins, além de sucessos da música pop nacional e internacional.

“Trazemos um repertório que já faz parte do nosso dia a dia nas apresentações e algumas que vão ser levadas especialmente para o Concerto Rio 2026. A proposta é levar ao festival uma seleção que valorize compositores nortistas, como Wilson Fonseca, Sebastião Tapajós e ampliando o diálogo com outros músicos da Amazônia e do Nordeste. Queremos homenagear ritmos e expressões como o carimbó, o beiradão de Manaus e artistas como Dona Onete e Pinduca, mostrando a diversidade e a potência da música produzida no Norte”, ressaltou Rafael Brito, regente da Filarmônica Municipal.

Pela primeira vez realizada no Brasil, a conferência internacional reunirá músicos, maestros e educadores de diversas partes do mundo. A Filarmônica Municipal Professor José Agostinho está entre apenas seis bandas sinfônicas brasileiras selecionadas para representar o país no evento, consolidando o reconhecimento nacional e internacional do trabalho desenvolvido pelo grupo santareno, especialmente na valorização da música brasileira e dos ritmos amazônicos.

“A Filarmônica Municipal, ao longo dos anos — e agora prestes a completar 64 anos — tem se empenhado para garantir maior notoriedade ao grupo. Tivemos importantes apresentações, como no Teatro da Paz, em Belém, em 2017, no Teatro Amazonas, em Manaus, em 2019, além de participações em Vigia, reconhecida como cidade musical do Pará. Esse convite tem um significado muito especial, pois somos a única banda das regiões Norte e Nordeste selecionada. Para nós, é algo inimaginável e motivo de grande orgulho participar de um evento internacional”, destacou Adon Wender Tertulino, diretor da Filarmônica Municipal.

A Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (Semc), dará apoio à viagem dos cerca de 40 músicos que integram a Filarmônica Municipal, reconhecendo a importância da participação da banda sinfônica no festival e a visibilidade que a banda está trazendo para Santarém e região.

“A Semc está apoiando a ida de cerca de 40 músicos ao Rio de Janeiro, no mês de julho, e também articulando parcerias para garantir a estadia durante o período do evento. Além disso, realizaremos concertos para angariar recursos, assegurando conforto e segurança aos integrantes. É um reconhecimento do prestígio que a Filarmônica vem conquistando e

da representatividade que leva para os artistas da nossa região”, destacou Priscila Castro, secretária municipal de Cultura.

Tradição que atravessa gerações

A Banda Filarmônica Professor José Agostinho é uma das mais tradicionais expressões culturais de Santarém, com uma trajetória que se aproxima de 64 anos de história. Ao longo desse período, o grupo tem desempenhado papel fundamental na formação musical de gerações e na valorização da música de sopro no município.

Fundada em 1963 pelos irmãos Wilson Dias da Fonseca e Wilde Dias da Fonseca, a Banda de Música Professor José Agostinho iniciou suas atividades com ensaios no Tiro de Guerra 190. Ao longo das décadas, a Filarmônica consolidou-se graças ao empenho de seus integrantes e à liderança de nomes como Sebastião Nogueira Sirotheau e o maestro Wilson Dias da Fonseca, tornando-se uma das mais importantes expressões culturais de Santarém.

Reconhecida por sua relevância histórica, a banda recebeu, em 2008, o título de Patrimônio Cultural e Imaterial de Santarém. A partir de 2013, com a atuação do regente João Paulo Fonseca, iniciou um processo de renovação artística, marcado por projetos como a gravação do DVD de trilhas sonoras de cinema e a realização de concertos temáticos, a exemplo de “Concerto Nordestino”, “The Beatles”, “Carimbolando com a Filarmônica” e apresentações natalinas, ampliando o diálogo com diferentes públicos.

Além dos palcos, a Filarmônica também atua na formação de novos músicos por meio da Academia de Música Professor Wilde Fonseca, criada em 2011. O trabalho pedagógico contribui para a continuidade da tradição musical no município e fortalece grupos como a Orquestra Filarmônica de Santarém. Com apresentações em importantes espaços, como o Theatro da Paz, em Belém, e eventos em Manaus e Vigia de Nazaré, a banda reafirma seu papel na difusão da música e na valorização da identidade cultural amazônica.