Boto Cor de Rosa é campeão do Festival dos Botos 2026
Com 477,5 pontos, Boto Cor de Rosa supera o Tucuxi por meio ponto e conquista o 13º título da disputa
9/22/20263 min read


O Boto Cor de Rosa é o campeão do Festival dos Botos 2026. A vitória foi confirmada na tarde desta segunda-feira (21), durante a apuração das notas no Lago dos Botos, em Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará. O Rosa somou 477,5 pontos, apenas meio ponto à frente do Boto Tucuxi, que terminou a disputa com 477 pontos. Com o resultado, o Cor de Rosa chega ao 13º título da tradicional disputa do Sairé.
A conquista encerra uma disputa marcada pelo equilíbrio entre os dois grupos e por apresentações que mergulharam na ancestralidade, na memória e na identidade dos povos da Amazônia.
O Cor de Rosa abriu a noite de apresentações com o tema “Tapajônica – A História Não Contada”, levando para a arena histórias transmitidas pela oralidade dos povos do Tapajós. O espetáculo buscou revelar narrativas que, embora muitas vezes não estejam registradas nos livros, permanecem vivas na memória e na voz das comunidades que habitam o território.
A apresentação destacou a relação entre os povos, as águas e as matas, colocando a natureza como elemento fundamental da identidade amazônica. Ritmos, saberes, costumes e o cotidiano das populações que têm os rios como caminho e modo de vida também ganharam espaço no espetáculo.
A preparação para a apresentação começou ainda em março e envolveu meses de trabalho até a noite decisiva no Lago dos Botos.
“É um grande momento para a gente, que se dedica muito durante todo o ano. Viemos de uma sequência de derrotas antes das duas vitórias consecutivas. Estamos muito felizes com esse resultado e com todo o trabalho realizado”, afirmou o presidente do Boto Cor de Rosa, Tiago Vasconcelos.
Um dos momentos de destaque da apresentação foi a estreia de Geovana Vaughan como Rainha do Sairé do Boto Cor de Rosa. A personagem levou para a arena elementos ligados à cultura e à história do povo de Alter do Chão.
“É um prazer representar um item tão importante com a minha cultura, que conta a história do meu povo”, declarou.
A Rainha do Artesanato também integrou o espetáculo, valorizando os saberes e fazeres tradicionais que atravessam gerações e ajudam a preservar a identidade cultural da comunidade.
Na sequência, o Boto Tucuxi apresentou o tema “Iburari, Ocara Sagrada”, levando para a arena uma narrativa baseada na ancestralidade Borari e na história do território onde se consolidou o aldeamento que deu origem à atual vila de Alter do Chão.
O espetáculo azul explorou a relação entre território, memória, espiritualidade e pertencimento. Personagens, alegorias e elementos da encantaria amazônica ajudaram a construir a narrativa apresentada ao público.
Entre os destaques estiveram o Boto Homem Encantador, interpretado por Breno Tavares, na alegoria “Yaci, o Encante da Lua”, e a Rainha do Lago Verde, interpretada por Lara Taís Borari, acompanhada da alegoria “O Majestoso Pirarucu”.
A força da mulher Borari também foi representada pela Cabocla Borari, interpretada pela professora de balé infantil Daniela Tapajós.
Além da disputa entre os itens e das grandes alegorias, os dois grupos levaram para o Lago dos Botos mensagens relacionadas à preservação das águas, da floresta e dos territórios tradicionais.
Ao final, a diferença mínima na pontuação confirmou o equilíbrio da disputa. O Cor de Rosa terminou com 477,5 pontos, contra 477 pontos do Tucuxi, garantindo o título de 2026.
Os dois grupos foram avaliados em 16 quesitos: Apresentador, Cantador, Rainha do Sairé, Cabocla Borari, Curandeiro, Rainha do Artesanato, Boto Homem Encantador, Boto Animal, Rainha do Lago Verde, Carimbó, Organização do Conjunto Folclórico, Alegorias, Letra e Música, Ritual, Sedução e Galera.
Com a vitória, o Boto Cor de Rosa escreve mais um capítulo na história do Festival dos Botos e chega ao seu 13º título, em uma disputa que transformou novamente o Lago dos Botos em palco da cultura, da ancestralidade e da encantaria amazônica.
Crédito da foto: Ronaldo Ferreira


