Barco Regatão inicia travessia pelo Tapajós fortalecendo culturas vivas e a proteção dos territórios amazônicos

Terceira edição do projeto percorrerá cinco comunidades ribeirinhas do Tapajós com oficinas, cineclube, exposição fotográfica, lançamento de coletânea e atividades voltadas às juventudes

6/16/20263 min read

Entre os dias 19 de junho e 1º de julho, o rio Tapajós será novamente caminho para encontros, circulação de saberes e fortalecimento comunitário com a realização da terceira edição do Barco Regatão – Tapajós: Corredor de Culturas Vivas. A iniciativa do Pontão de Cultura Instituto Regatão Amazônia, percorrerá comunidades ribeirinhas da região promovendo atividades culturais, processos formativos, ações de salvaguarda da memória, comunicação territorial e intercâmbio de saberes.

Inspirado na figura histórica do regatão, personagem que navegava pelos rios amazônicos conectando comunidades por meio das trocas e da circulação de produtos, o projeto ressignifica essa tradição e transforma a embarcação em um espaço de circulação cultural, escuta e fortalecimento das culturas vivas de base comunitária.

A proposta não é levar respostas prontas aos territórios, mas criar espaços de encontro, escuta e troca de conhecimentos entre diferentes gerações, reconhecendo e valorizando os saberes construídos por quem vive diariamente às margens dos rios amazônicos.

A travessia começa no dia 19 de junho, com saída de Alter do Chão, sede do Instituto, e destino à comunidade Vista Alegre do Capixauã, que recebe a primeira programação da jornada, no dia 20. O percurso segue por Suruacá, no dia 22, Surucuá, no dia 24, e Cametá, no dia 26 e culmina em Pinhel.

Em cada parada serão realizadas oficinas culturais, atividades formativas, ações voltadas às juventudes, sessões do Cineclube Regatão, exposição fotográfica itinerante, atividades do Projeto Afluentes e o pré-lançamento da coletânea Regatão das Amazônias. A etapa final acontece em Pinhel, onde a equipe permanecerá entre os dias 27 e 30 de junho desenvolvendo atividades de integração comunitária, pesquisa de campo e uma programação ampliada do Projeto Afluentes.

Durante a travessia do Barco, estará acontecendo a tradicional Festa do Gambá, que há 300 anos celebra a tradição da festa de São Benedito na comunidade de Aveiro, margem direita do Tapajós.

Cerca de 30 pessoas entre fazedores de cultura, pesquisadores, comunicadores, educadores, artistas, voluntários e equipe técnica participam da travessia. A expectativa é envolver aproximadamente 40 participantes em cada atividade formativa realizada nas comunidades.

Para Marlena Soares, diretora executiva e cofundadora do Instituto Regatão Amazônia, o Tapajós precisa ser compreendido para além de sua dimensão geográfica.

"Quando falamos em Tapajós: Corredor de Culturas Vivas, estamos dizendo que o rio não é apenas um caminho geográfico. Ele é um corredor de memórias, saberes, pessoas e culturas que seguem vivas nas comunidades. A dança, a música, a oralidade, a pesca e as formas de organização comunitária também fazem parte da riqueza deste território. Essa é uma reflexão que vem sendo construída pelo projeto desde sua primeira travessia, em 2024", destaca.

Entre as atividades mais aguardadas está o Cineclube Regatão, que busca reunir crianças, jovens, adultos e idosos em sessões coletivas de cinema. Em algumas localidades, muitos moradores nunca tiveram a oportunidade de assistir a um filme em uma tela de projeção, transformando a atividade em um momento de encontro, convivência e acesso à produção audiovisual.

A travessia também levará para todas as comunidades o “Museu de Memórias Vivas”, uma a exposição fotográfica construída de forma coletiva a partir dos registros das oficinas de comunicação e cultura realizadas com recursos públicos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), através do edital de Pontões de Cultura. A programação inclui ainda o pré-lançamento da coletânea Regatão das Amazônias, publicação que reúne reflexões, experiências e memórias absorvidas ao longo da trajetória da organização e que serão compartilhadas com as comunidades para fortalecer seus agentes culturais.

Para o Instituto Regatão Amazônia, a cultura não é compreendida apenas como expressão artística, mas como uma tecnologia social capaz de fortalecer vínculos comunitários, transmitir conhecimentos entre gerações e contribuir para a permanência das populações em seus territórios. Nesse sentido, fortalecer culturas vivas também significa fortalecer as pessoas que ajudam a proteger a Amazônia todos os dias.

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